sexta-feira, 19 de março de 2010

Família encontra ossada que pode ser de guerrilheiro do Araguaia

                Quanto mais o tempo passa, mas algumas pessoas tentam esquecer da ditadura militar como se fosse um fantasma exorcizado. O chato é que não é, pelo contrário, este está cada vez mais presente, embora disfarçado, nas posturas de muitos de nossos políticos e autoridades. Acho que o fantasma mesmo é a autoculpa dos apoiadores deste regime.
                Deve ser por isso que tem tanta gente com medo de que as informações sobre a ditatura apontem os pobres que muita gente tenta jogar para debaixo do tapete. Daí também  o medo do PNDH-3 que assusta os velhos colaboradores e cúmplices da Ditadura como um fantasma dos natais passados.
                Leiam a seguir uma nota emitida pelo site http://www.informes.org.br/:

        
"Família encontra ossada que pode ser de guerrilheiro do Araguaia  

A família de Antônio Teodoro de Castro, que usava o codinome Raul” na Guerrilha do Araguaia, encontrou nesta semana restos humanos que podem ser do guerrilheiro. A descoberta da ossada na região conhecida como Tabocão, no Brejo Grande do Araguaia, a 90 quilômetros de Marabá, no Pará, aconteceu após a família receber informações de que nesse local poderiam estar sepultados vários guerrilheiros.

Segundo o informante da família, que preferiu não se identificar, o local que foi escavado poderá ter também os restos dos guerrilheiros Pedro Carretel (Carretel), Rodolfo de Carvalho Troiano (Manoel do A), Gilberto Olímpio Maria (Pedro) ou Maurício Grabois (Mário).

Ao localizar os restos humanos, os familiares entraram em contato com o Ministério Público Federal, que solicitou o apoio da Polícia Federal, do Instituto de Perícias Científicas do Pará e do Instituto Médico Legal de Marabá. Uma equipe de especialistas se deslocou para o local. Todos o material recolhido está sendo analisado no Instituto Médico Legal de Marabá.

Para o deputado Luiz Couto (PT-PB), que já presidiu a Comissão de Direitos Humanos da Câmara por duas vezes, a descoberta dos restos mortais reforça a necessidade de criação da Comissão da Verdade e Memória, proposta no Plano Nacional de Direitos Humanos (PNH3). “Toda família tem direito ao luto, tem direito de saber onde estão ou onde foram jogados os seus entes queridos que desapareceram no período da ditadura militar”, afirmou.

O deputado destacou que cerca de 74 estudantes do centro-sul que participaram da guerrilha no início dos anos 70 ainda continuam desaparecidos. Destes, apenas dois foram localizados e identificados”, afirmou Luiz Couto. É o caso da professora Maria Lúcia Petit da Silva, identificada há 14 anos e do estudante Bergson Gurjão Farias, identificado no ano passado. “Dois meses após a identificação a o sepultamento de Bergson, a mãe dele – de 94 anos – faleceu. Parece que estava esperando o desfecho dessa história para descansar em paz”, ressaltou Luiz Couto.

A descoberta dos restos mortais, para o deputado Pedro Wilson (PT-GO), da Comissão dos Mortos e Desaparecidos Políticos, traz a esperança e a possibilidade concreta de identificação de dezenas de desaparecidos no Brasil. “São novas pistas importantes para preenchermos lacunas da nossa história e de asseguramos a essas famílias o direito de enterrar os seus mortos”, afirmou.

Além de trabalhar no resgate da ossada, outros especialistas ainda registraram depoimentos de moradores da região que possam ajudar na investigação sobre os restos mortais encontrados em Tabocão. O Tabocão sempre foi apontado como possível área de enterros de guerrilheiros mortos durante os combates da década de 1970 e chegou a ser escavado em outubro do ano passado pelo Grupo de Trabalho Tocantins, sem que tenham sido encontrados restos. O local onde foram encontradas as ossadas nessa semana fica a cerca de 30 metros do local escavado em 2009. "

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